Sei lá.
É nesse momento da minha própia intimidade, eu comigo, que reconheço a intimidade nossa. Eu e você. Sei lá.
Eu não fiz nada. Tu também não fiziste. E foi ae que começou a nada nossa.
É nesse momento que eu me olho no espelho, e não te vejo. Me vejo a mim. E penso em você.
Penso assim: simplesmente. Só pensando. Sem esperar nada, sem exigir nada, sem impedir nada. Sei lá.
E o engraçado é que eu teve que sair de mim pra me encontrar. E acabei te encontrando também.
Não quero te atrapalhar. Também não quero que tu me atrapalhes (atrapalhagem é como vertigem). Só quero ficar assim, sendo eu, com você (sendo você), pra a gente ser a gente.
Eu sou isto: poeta. Tudo o que eu tenho é o que eu sou, todo o que eu posso. E é em mim que você chegou.
Sei lá.
